20090415

Estou perdida de volta. Voltei hoje das ilhas. Ultimamente acontece-me esta coisa de não conseguir regressar inteira das viagens que faço. É como se houvesse uma parte de mim que apanha o comboio e se mete no avião com os outros passageiros e chega às estações e aeroportos de destino com as malas nas mãos. E uma outra ficasse para trás. Levando mais tempo a chegar. Num regresso lento. Muito lento.

"Perdido de volta" é um livro que me veio parar às mãos por estes dias e que não me larga. É uma espécie de doença que espero que me passe até ao fim de semana. Quando eu acabar de o ler. Ou não. Há livros que lemos que vêm morar para dentro de nós. E ser pele e ser osso e ser carne e o ar que enche o corpo nas partes ocas. É verdade, entram e ficam a fazer parte dos tecidos e da estrutura óssea e envelhecem connosco. Como serão dentro de mim quando eu envelhecer? Perderão flexibilidade? Perderão força? Ganharão a ternura e o brilho próprio dos olhos dos velhos?