20100627

a poesia já chegou aos armários da cozinha
está entre os pratos e as tigelas
no meio das lentilhas e do feijão
já não consigo viver sem ela não consigo

20100620

ai se esta rua, se esta rua, se esta rua fosse minha

20100617

Ao princípio não era assim. Eu não sentia tanta falta daquela metade impossível de mim. Tinha trocado o impossível do meu mundo pelo possível do teu. Naquele que foi o meu último mergulho. O meu amor por ti. Um amor-de-água. Um amor-apneia. Hoje sei que me falto a mim mesma. E que há mais de mim do que aquilo que vejo. Do que aquilo que vês. Mais do que aquilo que trago todos os dias para casa. Há mais azul. Há mais prata. E à noite quando durmo a teu lado o meu corpo move-se sem querer. As pernas cruzam-se e os pés esticam-se. E as mãos nas coxas sentem de novo o frio metálico das escamas. Por uns instantes volto ao mar. Regresso a casa e ao ser de água que ainda existe em mim.

20100608

E se isto é mesmo uma flor... de que serve falar de uma flor?

20100604