20120611

acordo de manhã todos os dias e escrevo-me

20120606

Interessa-me isto de usarmos as palavras para nos tocarmos. Interessam-me as palavras que nos desmancham. Que nos desfazem de alto a baixo num só golpe. Que entram por nós a dentro. E nos viram do avesso. Mesmo os maiores. Os mais duros. Os mais fortes. Especialmente esses. As palavras capazes de nos atravessar. Directamente apontadas ao coração. Que ficam amarradas num nó dentro da garganta. Que são enfiadas sem piedade como um soco no estômago. São essas as palavras que me interessam.

20120603

Preciso de beleza impossível. Daquelas coisas que não acreditamos existir. Como umas borboletas azuis enormes que vi uma vez numa floresta. Completamente irreais a voar pelo meio das árvores. Como os palácios de Veneza suspensos por milhares de estacas de madeira. Cidade completamente impossível. Preciso desse grito. Do belo que acontece. Do belo a tornar-se matéria. Do belo que luta com todas as armas que tem.