20100228

"Como hoje tudo está tão estranho! E ontem tudo se passou como de costume! Gostava de saber se fui eu que mudei durante a noite? Deixa-me cá pensar: Quando me levantei esta manhã seria a mesma pessoa? Parece que me lembro de me sentir um bocadinho diferente. Mas se não sou a mesma pessoa, a questão então é saber: Quem sou eu? Ah! Esse é que é o grande mistério!"

Lewis Carroll Alice no País das Maravilhas

So the question is... how far down the rabbit hole do you really want to go?

20100221

"Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar malamar, amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso, sozinho,
em rotação universal, senão rodar também, e amar?
amar o que o mar trás à praia, e o que ele sepulta,
e o que, na brisa marinha, é sal, ou precisão de amor ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto, o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero, uma vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta, distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita." Carlos Drummond de Andrade

20100220

Vejo uma festa que pede para acontecer... uma grande festa...

20100219

Game over. Do you want to play again?

20100217

às vezes ainda fica escuro de repente

20100215

"O tempo é muito lento para os que esperam,
muito rápido para os que têm medo,
muito longo para os que lamentam,
muito curto para os que festejam.
Mas, para os que amam,
o tempo é eternidade." William Shakespeare

20100213

(...) in what meteores and other atmospheric phenomena are concerned
you are my favourite kind of hurricane (...)

20100207

Gosto desta coisa de atravessar o rio. De sentir este movimento de ir e voltar. A partida e o regresso. Gosto de ter uma vida com duas margens. E um rio e uma ponte que o atravessa. E poder ser margem sul umas vezes e margem norte outras. E o rio que corre por entre as margens em direcção ao mar. E a própria ponte, engenharia de homem, que liga os dois lados. E este momento em que atravesso o rio sobre a ponte, este momento em que não estou em nenhuma das margens, suspensa sobre o rio, e sou a ponte, é como se deixasse de existir por uns instantes. Sou apenas a coisa que liga. E nas noites em que a lua brilha alta e volta ao rio com a sua luz branca repete-se um amor líquido e prateado. Um amor que vai e volta. Um amor lunar. Que parte e que regressa. Sempre. Assim como eu.

20100203

deixar que o universo
pegue em mim ao cólo
e me leve com ele

20100202

falta palavra quase palavra sem palavra não palavra
falta inventar uma linguagem para todos os silêncios silêncios pequenos silêncios grandes daqueles incómodos e dos que não custam nada silêncios forçados e silêncios livres dos que têm cor e dos outros transparentes dos que têm cheiro e dos que deixam rasto atrás de si se pensarmos bem existem muitos silêncios diferentes e não há palavras para todos eles não há