20120331
20120325
Como será fazer uma limpeza de Primavera dentro da nossa cabeça? Abrir os olhos para deixar a luz entrar. Inspirar fundo e sentir o ar fresco nos pulmões. Deitar fora ideias que já não precisamos. Limpar os pensamentos recorrentes que se acumularam em camadas espessas mais por preguiça do que por qualquer outra coisa. Deixar os sons dos pássaros e das crianças entrar dentro de nós. Guardar o olhar escuro e pesado de Inverno nos armários devidamente acondicionado. E comprar flores. Sim. Comprar flores amarelas. Que é como quem diz, sorrir. Depois é só esperar pela explosão lenta de vida que surge em nós todos os anos por esta altura. Não a sentem chegar?
20120323
20120319
(espero)
a estação dos pássaros novos e do vento que desarruma as sementes velhas
(subo escadas muitas escadas)
no meio de colinas que estalam amarelas de tanto brilhar ao sol
(às vezes paro)
porque há um deus que assim quer
senão a luz não brilhava desta maneira
não brilhava desta maneira que me faz parar a meio das escadas
devota do tom de amarelo que cobre as fachadas exactamente às 18.05
(ando)
gosto de te ouvir dizer o meu nome
naquela roda de crianças
(naquela roda de crianças onde brincamos às escondidas e tu ainda não me encontraste)
20120307
20120305
Errata. Preciso de uma errata. Sabem aqueles papéis com versões corrigidas de palavras ou expressões que se anexam aos livros quando não queremos repetir toda uma edição por causa de alguns lapsos? As histórias continuam a fazer sentido. As histórias sobrevivem a lapsos ortográficos e a outros acidentes de escrita. E nós? Será que sobreviveremos sem erratas explicativas? Sem uma nota de rodapé que seja? Ficaremos nós para ler as histórias uns dos outros até ao fim?
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