20110219

Às vezes acontece. Uma outra alma vem sentar-se à beira da nossa num qualquer degrau. Ficam ali à conversa como dois amigos que não se vêm há muito tempo. E não é que estejam sempre a falar. Há silêncios também. E nesse silêncio os corpos falam daquela maneira que se pode falar sem usar palavras. Não estou a falar de anjos nem de criaturas sobrenaturais. Estou a falar de pessoas de carne e osso em ruas muitas vezes sujas. Em sítios onde pensamos que não há lugar para as almas se encontrarem. Autocarros cheios, gabinetes cinzentos, prédios de subúrbio. E não há nada que a gente possa fazer. Horários, regras, circunstâncias. As almas não querem saber disso para nada. Quando se encontram é como se não houvesse ontem nem amanhã. E na verdade não há mesmo.

20110217

stand by or on stand by
1. one to be relied on especially on emergencies
2. a favourite or reliable choice or resource
3. one that is held in reserve ready for use
4. ready or available for immediate action or use

20110214

As pedras do rio são duras e suaves. Fortes e macias. Densas e transportáveis. Trazem consigo conversas de água que duram há muitos anos. Na verdade demasiados anos para os sabermos contar. Pegamos nelas e sentimos tudo isso na mão. Sentimos a água no toque suave da pedra. Sentimos todas as vezes que ali passou. Sentimos o tempo. E quase amor. São pedras que não queremos largar por nada deste mundo. Trazêmo-las na mão e nem sabemos bem porquê. E assim como o rio levamo-las para outra margem mais adiante. E no entretanto conversamos com elas mais um pouco. Aquele tipo de conversas que só temos com as pedras que apanhamos no rio. E com os estranhos.

20110207

Lembras-te de ficar acordada à noite na janela a olhar o céu e as estrelas?
E de pensares que era impossível adormecer quando havia tantas perguntas para responder.

20110202

Janeiro fora cresce uma hora.