há um momento em que o meu movimento já não é só o meu movimento
em que o meu corpo já não é só o meu corpo
presa, surpresa
sou o espaço
sou o movimento
sou os corpos
onde começa e acaba o meu movimento?
onde começa e acaba o meu corpo?
quanto do outro já sou eu?
o meu corpo não quer saber da matéria
andorinhas doidas
sim dançamos como andorinhas doidas em tardes de verão
o corpo que falha
o corpo que se desmancha
o corpo que pára
sou uma emoção sem perna direita
ficar fora
ficar dentro
ficar no chão
o limite, o fim, a morte
o meu corpo não pára de me falar nestas coisas
como ser a dança que sinto?
lágrimas nos olhos, dançam-me lágrimas nos olhos
vão sempre existir sítios onde eu acabo
e ainda assim ir até ti
atravessando o imenso deserto das coisas que não são
o meu corpo não pára de me falar nestas coisas
diz-me que não quer saber da matéria
presa, surpresa
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