20091005

E volto sempre a este texto pois está lá tudo...

"Está na ordem do universo que um espírito único, por todo o lado espalhado, um sentido em tudo presente, de todas as partes vindo para se apossar das coisas, sinta estes efeitos e paixões que em todas as coisas nos é dado observar (...) A alma, substância divina, não deve por certo pertencer a uma condição inferior do que os fenómenos que dela procedem, e que são como que os seus efeitos, seus vestígios e suas sombras. Em suma: se a voz opera fora do corpo em que nasce, e se encontra inteira em incontáveis orelhas à sua volta, porque não poderia a substância que produz a voz encontrar-se também ela em diversos lugares? Assim age o corpo sobre um corpo distante ou sobre um corpo próximo e sobre as suas próprias parcelas; através de uma espécie de simpatia, de aliança, de união... Quem conhecer esta continuidade indissolúvel da alma... que a alma está indissoluvelmente ligada à matéria universal... Segue-se em conclusão que o vazio não é um espaço sem corpos, mas um espaço no qual diversos corpos se sucedem e movem; daqui procede o movimento contínuo das partes de um corpo em direcção às partes de outro corpo, através de um espaço contínuo, não interrompido, como se o vazio mais não fosse senão o mediador entre cheio e cheio.
"

retirado do Tratado da Magia de Giordano Bruno

1 comentário:

RitMOS disse...

Este texto lembra-me muito o "Walden" de Thoreau. Muito mesmo, e ele especifica muito esa vazio que nao e vazio, a Natureza e o Espaco.