20100207

Gosto desta coisa de atravessar o rio. De sentir este movimento de ir e voltar. A partida e o regresso. Gosto de ter uma vida com duas margens. E um rio e uma ponte que o atravessa. E poder ser margem sul umas vezes e margem norte outras. E o rio que corre por entre as margens em direcção ao mar. E a própria ponte, engenharia de homem, que liga os dois lados. E este momento em que atravesso o rio sobre a ponte, este momento em que não estou em nenhuma das margens, suspensa sobre o rio, e sou a ponte, é como se deixasse de existir por uns instantes. Sou apenas a coisa que liga. E nas noites em que a lua brilha alta e volta ao rio com a sua luz branca repete-se um amor líquido e prateado. Um amor que vai e volta. Um amor lunar. Que parte e que regressa. Sempre. Assim como eu.

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