20100304
Os tolos, os idiotas e os loucos de uma maneira geral sempre me fascinaram. Os temporariamente loucos, os apaixonadamente loucos, os distraidamente loucos. O primeiro de todos foi sem dúvida São Francisco de Assis. Que aliás só recentemente descobri que tinha sido louco. Em criança parecia-me perfeitamente natural que alguém falasse com os animais. Nem sei mesmo se não terá sido por ele que decidi estudar biologia. Sempre pensei que tinha sido por causa da minha professora do nono ano mas pensando melhor talvez tenha sido por causa dele. Num mundo essencialmente louco ser louco é a resposta mais natural. E por isso perder o juízo pode ser o melhor a fazer. Mesmo. Só outro dia percebi isso. Num vislumbre da minha própria loucura. E é uma linha tão ténue. E a tentação é muito grande. Não sabemos é se depois de a cruzar alguma vez saberemos regressar. Ou se quereremos sequer. Enquanto isso não acontece e o mundo prossegue louco à nossa volta podemos sempre brincar com a loucura possível. A loucura aceitável. A loucura sustentável. Em pequenas doses. Sózinho ou acompanhado. Experimente. Perca a cabeça por uns instantes. Vai ver que logo logo ela volta ao lugar.
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