20110219

Às vezes acontece. Uma outra alma vem sentar-se à beira da nossa num qualquer degrau. Ficam ali à conversa como dois amigos que não se vêm há muito tempo. E não é que estejam sempre a falar. Há silêncios também. E nesse silêncio os corpos falam daquela maneira que se pode falar sem usar palavras. Não estou a falar de anjos nem de criaturas sobrenaturais. Estou a falar de pessoas de carne e osso em ruas muitas vezes sujas. Em sítios onde pensamos que não há lugar para as almas se encontrarem. Autocarros cheios, gabinetes cinzentos, prédios de subúrbio. E não há nada que a gente possa fazer. Horários, regras, circunstâncias. As almas não querem saber disso para nada. Quando se encontram é como se não houvesse ontem nem amanhã. E na verdade não há mesmo.

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