20110214

As pedras do rio são duras e suaves. Fortes e macias. Densas e transportáveis. Trazem consigo conversas de água que duram há muitos anos. Na verdade demasiados anos para os sabermos contar. Pegamos nelas e sentimos tudo isso na mão. Sentimos a água no toque suave da pedra. Sentimos todas as vezes que ali passou. Sentimos o tempo. E quase amor. São pedras que não queremos largar por nada deste mundo. Trazêmo-las na mão e nem sabemos bem porquê. E assim como o rio levamo-las para outra margem mais adiante. E no entretanto conversamos com elas mais um pouco. Aquele tipo de conversas que só temos com as pedras que apanhamos no rio. E com os estranhos.

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